A Chave e a Mala

Fale sobre três objetos sem os quais você não vive.

A chave e a mala são objetos que carregam significados para além de suas funções práticas. A chave abre, fecha, protege ou revela. É pequena, discreta, mas seu poder é imenso: sem ela, portas permanecem trancadas, segredos são mantidos, destinos são adiados. Já a mala é um símbolo de deslocamento, de transição. Ela guarda pertences, memórias, despedidas e recomeços.

Quando estão juntas, contam histórias. A chave pode ser a de um lugar que se deixa para trás ou de um novo lar. A mala, carregada de roupas e lembranças, pode significar um adeus, um até logo ou um começo incerto. Elas são cúmplices silenciosas de chegadas e partidas, lembrando que toda viagem – física ou emocional – envolve tanto abrir quanto carregar.

O último deve ser resposta de todos…Cabe na palma da mão, leve como se fosse uma extensão dos dedos. Um pequeno portal que conecta, informa, diverte. Com ele, é possível ouvir a voz de quem está longe, ver o rosto de quem faz falta, enviar palavras que confortam. Ele guarda lembranças em fotos, sorrisos capturados sem pressa.

Sempre pronto, sempre presente. Com ele, há música para embalar momentos, mapas para guiar caminhos, histórias para preencher silêncios. Ele é companhia nas esperas, ponte para novas ideias, descanso para a mente quando o mundo lá fora é barulhento demais. Eentão, no fim, percebe-se: esse objeto tão familiar, tão cotidiano, é o celular.

A Divisão Subjetiva: Uma Análise da Fragmentação do Sujeito na Contemporaneidade



A divisão subjetiva é um conceito que tem ganhado relevância em diversas áreas do conhecimento, como a filosofia, a psicologia, a sociologia e a teoria literária. Esse fenômeno refere-se à fragmentação ou multiplicidade do sujeito, questionando a noção tradicional de uma identidade única e coesa. Em um mundo cada vez mais complexo e globalizado, a ideia de um “eu” singular e estável tem sido desafiada, dando lugar a uma compreensão mais fluida e dinâmica da subjetividade. Este artigo busca explorar as origens, as implicações e as manifestações da divisão subjetiva na contemporaneidade.

A noção de divisão subjetiva não é nova. Ela pode ser rastreada até os trabalhos de pensadores como Sigmund Freud e Jacques Lacan. Freud, ao desenvolver a teoria psicanalítica, introduziu a ideia de que o sujeito é dividido entre o consciente e o inconsciente. Lacan, por sua vez, aprofundou essa ideia, argumentando que o sujeito é constituído por uma falta intrínseca, uma divisão que nunca pode ser totalmente superada. Para Lacan, o “eu” é uma ilusão, uma construção simbólica que tenta mascarar a fragmentação inerente à condição humana.

Na filosofia, pensadores como Friedrich Nietzsche e Michel Foucault também contribuíram para a desconstrução da noção de um sujeito unificado. Nietzsche, com sua crítica à metafísica e à moral tradicional, questionou a existência de um “eu” essencial. Foucault, por sua vez, analisou como o sujeito é constituído através de práticas discursivas e relações de poder, sugerindo que a identidade é sempre contingente e mutável.

Na era pós-moderna, a divisão subjetiva tornou-se ainda mais evidente. A globalização, o avanço tecnológico e a cultura digital têm contribuído para a multiplicação de identidades e a fragmentação do sujeito. Nas redes sociais, por exemplo, os indivíduos podem assumir diferentes personas, cada uma adaptada a um contexto específico. Essa capacidade de “jogar” com diferentes identidades online desafia a noção de um “eu” autêntico e estável.

Além disso, a cultura do consumo e a mercantilização da identidade também desempenham um papel importante na divisão subjetiva. As pessoas são constantemente incentivadas a se reinventar, a adotar novos estilos de vida e a consumir produtos que prometem transformar quem elas são. Essa constante busca por novas identidades pode levar a uma sensação de desenraizamento e alienação, onde o sujeito se sente dividido entre múltiplas possibilidades de ser.

A divisão subjetiva tem implicações profundas tanto no nível individual quanto no coletivo. No nível individual, a fragmentação do sujeito pode levar a uma sensação de desorientação e ansiedade. Sem um “eu” coeso, os indivíduos podem lutar para encontrar um sentido de propósito e direção em suas vidas. Essa condição é frequentemente associada a transtornos psicológicos, como a depressão e a ansiedade, que são cada vez mais prevalentes na sociedade contemporânea.

No nível coletivo, a divisão subjetiva pode contribuir para a erosão dos laços sociais e a fragmentação da comunidade. Quando os indivíduos não têm uma identidade estável, torna-se mais difícil estabelecer conexões significativas com os outros. Isso pode levar ao isolamento social e à polarização política, onde as pessoas se identificam mais com grupos específicos do que com a sociedade como um todo.


A divisão subjetiva é um fenômeno complexo e multifacetado que reflete as transformações profundas que ocorreram na sociedade moderna. Enquanto a noção tradicional de um sujeito unificado e coeso tem sido desafiada, a fragmentação do “eu” também abre novas possibilidades para a compreensão da identidade e da subjetividade. Em um mundo cada vez mais interconectado e dinâmico, a capacidade de navegar entre múltiplas identidades pode ser vista tanto como uma fonte de liberdade quanto de desorientação. Cabe a nós, como indivíduos e como sociedade, encontrar maneiras de lidar com essa complexidade e construir um sentido de identidade que seja ao mesmo tempo flexível e resiliente.

O nome próprio

Os gatos não têm nomes – respondeu. 
Não? – perguntou Coraline. 
Não – disse o gato. – Já vocês, pessoas, têm nomes. É por isso que não sabem quem são. Nós sabemos quem somos e por isso não precisamos de nomes.

Este pedaço do poema de Neil Gaiman, presente em Coraline, nos convida a refletir sobre a função do nome próprio na constituição do sujeito. O gato, que uns amam outros tem medo, figura enigmática e autossuficiente, afirma não necessitar de um nome, pois já sabe quem é. Já o ser humano, marcado pela linguagem e pela falta, precisa do nome para se situar no mundo simbólico. O nome próprio não é apenas um significante, mas um operador fundamental na estruturação do sujeito no campo do Outro. 

Para Lacan, o sujeito é um efeito da linguagem, e o nome próprio da pessoa funciona como um ponto de ancora no simbólico, uma tentativa de fixar o sujeito em uma identidade. No entanto, essa fixação é sempre parcial e falha, pois o sujeito é constitutivamente dividido, barrado ($). O nome próprio, portanto, não esgota o ser do sujeito, mas o inscreve em uma rede de significações que o precede e o excede. 

Lacan aborda a questão do nome próprio como um nó borromeano, articulando os registros do Real, Simbólico e Imaginário em seus seminários. O nome próprio é um ponto de interseção entre esses três registros: no Simbólico, ele é um significante que designa o sujeito; no Imaginário, ele sustenta a ilusão de uma identidade unificada; e no Real, ele toca o impossível de ser nomeado, o núcleo traumático do sujeito. 

Exemplos atuais dessa questão complexa podem ser encontrados nas discussões sobre identidade de gênero e nomes sociais. Tomemos o caso de uma pessoa trans que escolhe um novo nome para si. Esse ato de nomeação não é apenas uma mudança de significante, mas uma reconfiguração de sua posição subjetiva no campo do Outro. O nome social, nesse sentido, funciona como um ponto de capitonagem, costurando o sujeito a uma nova rede de significações e reconhecimentos. No entanto, essa nova nomeação não resolve a falta constitutiva do sujeito, mas a desloca, reinscrevendo-a em um novo contexto simbólico. 

Outro exemplo pode ser encontrado na esfera política, onde a nomeação de figuras públicas é frequentemente disputada. Um político, por exemplo, pode ser chamado de “líder” por seus apoiadores e de “demagogo” por seus críticos. Aqui, o nome próprio se torna um campo de batalha simbólica, onde diferentes significantes competem para definir a identidade do sujeito. Essa disputa revela a natureza contingente e precária do nome próprio, que nunca é totalmente estável ou unívoco. 

Por fim, retornemos ao gato de Neil Gaiman. O gato, ao recusar o nome, afirma uma autossuficiência que o ser humano, marcado pela linguagem, nunca pode alcançar. Para Lacan, o sujeito humano é sempre um sujeito falante, e é precisamente essa fala que o condena à divisão e à busca interminável por um sentido que sempre escapa. O nome próprio, nesse sentido, é tanto uma solução quanto um sintoma: uma tentativa de suturar a falta que nos constitui, mas que nunca pode ser totalmente preenchida. 

Assim, a clínica do real nos ensina que o nome próprio não é apenas um significante, mas um operador de subjetivação, um ponto de encontro entre o simbólico e o real, entre o que pode ser dito e o que permanece inefável. E é nessa tensão que o sujeito se constitui, sempre em busca de um nome que nunca será suficiente, mas que, no entanto, é indispensável. 

Me depara cotidianamente com nomes e as histórias que eles carregam. Esses nomes, longe de serem meros significantes vazios, são portais para o inconsciente(como linguagem), o singular de cada sujeito. Ouvir os nomes e as narrativas que os acompanham é ver no campo do Simbólico, onde se revelam as marcas do desejo, os traumas recalcados e as identificações que constituem o sujeito. 

Cada nome próprio traz consigo uma história: a história de quem o escolheu, de quem o carrega, das expectativas e projeções que ele sustenta. Quando um paciente fala de seu nome, ele não está apenas dizendo algo sobre si, mas também sobre o Outro que o nomeou, sobre o lugar que ocupa (ou não) no desejo desse Outro. Nesse sentido, o nome próprio é um material privilegiado para a escuta, pois ele condensa, em um único significante, as complexas relações do sujeito com a linguagem, com o desejo e com o campo do Outro. 

Além disso, a escuta dos nomes e de suas histórias permite  acompanhar os movimentos de subjetivação do paciente. Quando alguém decide mudar de nome, por exemplo, isso não é um ato trivial, mas uma reconfiguração profunda de sua posição subjetiva. Escutar essa mudança é testemunhar um processo de reinvenção do sujeito, uma tentativa de ressignificar sua relação com o simbólico e de se reinscrever no mundo de uma nova maneira. 

Por fim, a escuta dos nomes nos lembra que, por trás de cada significante, há um Real que insiste e que nunca pode ser totalmente capturado pela linguagem. O nome próprio é, assim, uma tentativa de bordar o inominável, de dar forma ao que escapa. E é nessa tensão entre o que pode ser dito e o que permanece inefável que a clínica psicanalítica se move, sempre atenta aos significantes que emergem na fala do paciente, mas também ao silêncio que os atravessa. 

Portanto, como psicóloga, escutar dos nomes e de suas histórias é um trabalho precioso, pois é através dela que você acompanha o sujeito em sua busca por um sentido que nunca está dado, mas que se constrói, palavra por palavra, no espaço transferencial. E é nesse espaço que o nome, mais do que um rótulo, se torna uma chave para o inconsciente, um convite à invenção de si. 

Conhecendo o योग e uma Crítica ao Yoga



Não conheço o yoga mas sempre tive críticas sobre a prática que observei pelas lentes das redes sociais. Penso que essa expansão global do yoga impulsionada pelo marketing comercial, tem deturpado essa essência não somente para mim. Esse movimento tem se transformado em um produto consumível e adaptado às demandas capitalistas. Minha crítica sempre foi que essa comercialização do yoga traz consigo uma série de efeitos negativos, tanto para a prática quanto para os praticantes, ao diluir seus significados originais, alimentar a cultura da performance e perpetuar desigualdades estruturais. Além disso, a confusão sobre saúde mental e filosofia de vida sempre me incomodou.

A confusão entre saúde mental e algumas filosofias de vida é um tema que me incomoda profundamente. Muitas vezes, as pessoas acreditam que a chave para uma mente saudável é simplesmente limitar ou se abster de certos tipos de percepções, como se o autocontrole absoluto e a negação das emoções e pensamentos complexos fossem os pilares da saúde mental. No entanto, é essencial entender que saúde mental não é sinônimo de higienismo mental, uma tentativa de purificar a mente por meio de filtros ou supressões radicais. Essa visão reducionista pode levar a um estado de negação, em que aspectos importantes da nossa psique, como emoções conflitantes, inseguranças e até traumas, são ignorados ou suprimidos.
Além disso, certas filosofias de vida, especialmente as baseadas em frases de efeito e simplificações extremas, têm se tornado populares, mas muitas vezes carecem de fundamentos profundos. Tais filosofias, que exaltam a ideia de que a felicidade ou bem-estar estão apenas ao alcance de um pensamento positivo ou de um comportamento simplista, podem ser perigosas. Elas não só distorcem o conceito de saúde mental, como também criam uma falsa expectativa de que a vida deve ser sempre “leve” e sem contradições. Ao invés de fornecerem ferramentas para lidar com a complexidade das emoções humanas, essas abordagens podem gerar culpa ou frustração quando as pessoas se deparam com as inevitáveis dificuldades da vida.
Nos últimos anos, o yoga tem sido amplamente divulgado como uma solução para problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, depressão e estresse. Essa associação crescente, muitas vezes reforçada pelo marketing e pelas redes sociais, promove uma confusão que pode ser prejudicial, tanto para o entendimento das condições de saúde mental quanto para a compreensão da verdadeira essência do yoga. Embora a prática tenha benefícios comprovados, é essencial reconhecer suas limitações e evitar reduzi-la a uma ferramenta terapêutica universal.

Essa confusão entre yoga e saúde mental é amplificada pelo mercado do bem-estar, que frequentemente apresenta o yoga como uma panaceia. Redes sociais e influenciadores destacam imagens de tranquilidade, corpos flexíveis e ambientes esteticamente perfeitos, sugerindo que a prática, por si só, é suficiente para alcançar equilíbrio emocional. Essa visão simplista ignora a complexidade das condições de saúde mental. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos mentais são causados por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais, exigindo abordagens integradas que podem incluir medicamentos, terapias e apoio psicossocial.

Além disso, essa associação pode ser prejudicial ao reforçar a ideia de que a melhora da saúde mental é uma questão de esforço individual, ignorando contextos sociais e estruturais que impactam o bem-estar psicológico. Pessoas que não experimentam alívio com o yoga podem sentir-se inadequadas ou culpadas, perpetuando sentimentos de fracasso. A romantização de práticas como o yoga pode levar à negligência de soluções mais adequadas e cientificamente embasadas para lidar com problemas mentais.

Isso não significa que o yoga não tem valor. De fato, sua prática regular pode ser uma ferramenta complementar eficaz para promover o autoconhecimento, a regulação emocional e o relaxamento. Estudos indicam que o yoga pode ajudar a reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, melhorando a sensação de bem-estar. Entretanto, é fundamental que ele seja abordado como uma prática complementar e não como substituto para tratamentos clínicos.

Outra questão é o marketing frequentemente apresenta o yoga como uma prática voltada exclusivamente para o bem-estar físico e estético, desvinculando-o de suas raízes espirituais e misturando com a saúde psíquica. Essa abordagem reducionista promove uma visão fragmentada, na qual o yoga é tratado apenas como uma forma de exercício físico, ignorando seus aspectos filosóficos e éticos.

Aprendi que os yamas e niyamas, preceitos de conduta, são base importante para essa prática. Ao conhecer os yamas e niyamas, minha forma de enxergar as imagens dos praticantes de yoga nas redes sociais mudou profundamente. Antes, eu via apenas a estética: corpos em poses elaboradas, cenários bem compostos, uma perfeição que parecia inalcançável. Agora, com os preceitos de conduta como lente, percebo que há algo além do visível, algo que não pode ser captado apenas pela forma. Essas pessoas, em sua prática, estão expressando princípios éticos e reflexões internas que transcendem a superfície. O yoga é uma mensagem que só pode ser acessada quando se olha além da estética e se conecta com a profundidade filosófica da prática.

A forma como eu via e as vezes é propagada é uma simplificação não apenas desvaloriza a profundidade da prática, mas também desrespeita sua origem cultural, convertendo-a em mais um produto da indústria de bem-estar. No Instagram e  no TikTok estão repletas de imagens de corpos jovens e flexíveis em poses complexas, alimentando a ideia de que sucesso no yoga está associado à habilidade física e à estética. Essa narrativa não só afasta potenciais praticantes que não se enxergam nesse padrão, como também pode levar à frustração e lesões entre aqueles que forçam seus corpos para alcançar poses exibidas como “ideais”.

Acredito que essa ênfase na performance contribui para a mercantilização do corpo, transformando o yoga em mais uma ferramenta da cultura da produtividade e do consumismo. O corpo como produto é uma ideia que tenho muito avesso, é uma luta diária para compreender esse equilíbrio entre corpo/máquina.

Outro impacto negativo é a exclusão social que o marketing do yoga perpetua. A promoção de roupas caras, acessórios de luxo e estúdios de alto padrão cria uma barreira econômica que restringe o acesso à prática. O yoga, que originalmente tinha como um de seus princípios a acessibilidade universal, é agora associado a um estilo de vida elitista. Esse é um fenômeno que é especialmente evidente nosso pais, onde a prática foi apropriada de suas raízes para atender a uma clientela privilegiada.

Por fim, é importante destacar que o marketing  frequentemente ignora e até silencia as vozes que seriam importantes, retirando os praticantes tradicionais da narrativa e da liderança no ensino do yoga. Essa apropriação cultural transforma uma tradição ancestral em um produto descontextualizado, privando comunidades originárias de sua herança cultural e histórica. Enquanto o marketing pode ter popularizado o yoga e ampliado seu alcance, ele também trouxe sérios efeitos negativos ao distorcer sua essência.

Para resgatar o valor do yoga, foi essencial encontrar alguém que, com sua presença, sua prática e seu olhar, me jogou à verdadeira essência do ioga. Conheci uma pessoa que acolheu minhas críticas à superficialidade com uma paciência, sem julgamentos, como se já soubesse que meu incômodo era, na verdade, uma curiosidade. Ela não tentou me convencer com palavras, mas com formas de ser.

Essa pessoa é apaixonante, não pela perfeição, mas pela verdade que carrega. Não há ostentação em sua prática, apenas seu gosto e sua entrega. Quando ela assume uma postura, é como se o mundo parasse, e só de vê-la, sinto paz. Imagino o que ela sente naquele momento, e é impossível não desejar compartilhar daquela quietude, daquele estado de presença que parece envolvê-la. Essa pessoa me mostrou que o yoga não está em molduras estéticas ou conceitos fechados, mas em como habitamos, com integridade e graça.

O aprendizado que emerge da crítica e da experiência vivida é algo que me cativa agora. O yoga, como descobri agora, não é um espetáculo de corpos em poses impecáveis nem uma solução mágica para os desafios da vida moderna. Ele é, acima de tudo, uma prática íntima, de encontro consigo mesmo e com o mundo de forma íntegra e autêntica, me conectando com o movimento dentro de mim.

Minha crítica inicial embasada na superficialidade que observei, me levou a um caminho de autoconhecimento. Foi necessário me despir preconceitos, abandonar alguns julgamentos e mergulhar em uma compreensão,  que a prática é um reflexo de algo maior: o equilíbrio entre o ser e o estar.

O yoga é um convite à alteridade, ao reconhecimento de nossas limitações e à aceitação de que o processo é mais importante do que o resultado. É um chamado para viver com implicação e profundidade, algo que só se torna possível quando nos permitimos olhar além das aparências e das narrativas comerciais.

Encontrei no yoga uma oportunidade de ressignificar minhas críticas, encontro na linguagem do movimento e no exemplo vivo de quem o vivencia, e me causa uma fonte de inspiração. Que possamos buscar essa conexão mais autêntica, longe das ilusões e mais próximos de nossa humanidade compartilhada. Afinal, o yoga não é algo que se exibe; é algo que nos transforma.

🖖🏻योग